Sobre a vaidade da Juliana Paes

Enquanto fazia scroll no Instagram deparei-me com um post da Juliana Paes onde ela desabafa sobre o facto de que não ter ganho o prémio de melhor do ano pela interpretação do papel de Bibi na novela “Força de querer”. Bibi Perigosa foi foda mesmo! A Juliana Paes foi soberba no papel da vilã e o prémio seria mais que merecido. Mas perdeu. E doeu. Posso só imaginar como deve ter doído... a própria descreveu a decepção no dito post e houve uma frase que me chamou a atenção: “Como somos vaidosos! Como isso nos golpeia de morte...”

Aquilo atingiu-me como uma revelação de tão verdadeiro que é. Como somos vaidosos! E como isso nos golpeia de morte. Quantas vezes deixamos que a nossa vaidade leve de nós o melhor que fazemos e o lado menos negro da nossa existência. Quantas vezes nos embebedamos de vaidade e vivemos os dias em eterna dormência, alheios à realidade das nossas atitudes, das nossas falhas mais e menos graves. E quantas vezes essa mesma vaidade nos tolda ao ponto de perdermos a razão (mesmo quando a temos), o nexo, o sentido. Quantas vezes a vaidade nos eleva a pedestais por nós próprios erigidos sem direito, nos tira os pés do chão, nos faz existir vertiginosamente e cair forte e duro no chão. 

A vaidade inebria-nos...

E de facto, golpeia-nos de morte. Não são golpes que se vejam na nossa face ou no nosso corpo, mas são golpes que nos deixam marcas na alma e permanecem abertos, deixando-nos em carne viva, sujeitos a uma qualquer infecção propagada pelo meio e pelas pessoas que nos rodeiam.

A vaidade deixa-nos mais fracos.

No final de tudo, depois de nos ter dilacerado e arrancado pedaços bons de nós, a vaidade deixa cicatrizes que são nada mais nada menos que tristes lembranças do que fizemos influenciados por essa vaidade filha da puta.

Por melhores que sejamos, haverá sempre alguém melhor que nós. Por mais eficientes e capazes que sejamos, haverá sempre um dia em que falhamos porque não somos perfeitos nem é humana a perfeição. Por mais incomparáveis que tentemos edificar-nos, nunca seremos insubstituíveis. 

Por isso devemos viver para nós e não para os outros. Viver sem competições externas, sem querer provar nada a ninguém. Devemos ter também a consciência que as pedras que atiramos são apanhadas por alguém que um dia as tem nas mãos, e com elas o poder de as atirarem a nós ou não. Saibamos dar valor àqueles que não.

Sejamos humildes. Tenhamos consciência de que nenhuma conquista nos dá o direito de pisar os outros ou inferiorizar alguém. Sejamos mais compreensíveis com aqueles que nos rodeiam, com aqueles que fazem parte da nossa vida ou estão só de passagem, com nós mesmos. Sejamos menos ásperos, menos egotistas, menos egoístas, menos rancorosos, menos maus na nossa vaidade.

E porque há coisas que nascem connosco e a vaidade pode ser uma delas, digamos então tudo isto aos outros para que os outros façam melhor que nós. Porque dizê-lo é fácil, fazê-lo nem tanto assim. 


“Como somos vaidosos! Como isso nos golpeia de morte”.

Catarina Vilas Boas





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