Sobre o amor à camisola

O tempo escasseia e foge-me entre os dedos. Acho que é normal quando se faz aquilo que se gosta. Mas não poderia deixar de registar aqui, para a eternidade, aquela que é uma conquista que almejei com todas as fibras do meu ser. 

Há um ano e meio comecei a trabalhar numa empresa onde a competitividade é incentivada e onde a base de tudo é que os melhores ficam e crescem a partir de dentro. Não foram essas as palavras mágicas que me fizeram querer ficar, mas foram palavras que semearam em mim uma vontade profissional de uma imensidão que iria absorver toda a minha vida daí em diante. 

Era tão pequenina. Eu no meu primeiro emprego... 

Ao longo desse ano e meio sofri com maus dias, com situações em que me senti injustiçada, com maus clientes que me deixaram um sabor amargo na garganta e me obrigaram a engolir alguns sapos... mas cresci muito!

Apaixonei-me pelo atendimento ao público e pelos dias sempre diferentes, apaixonei-me pelos clientes bons que ficaram meus amigos, apaixonei-me pelas vendas, pela minha loja que será sempre a minha menina (independentemente da "minha loja" mudar). Suei a camisola. Amei a camisola. Coloquei no meu dia de trabalho toda a essência do que acredito ser o brio profissional e regojizei com todos os bons resultados, com todos os meses a verde, com os 100 pontos que mais ninguém conseguiu a não ser eu. E quando caminhava firme rumo aos 110, cresci. 


Cresci como me disseram que era possível crescer quando há 1 ano e meio entrei numa loja que não era minha (nem foi durante muito tempo) e que agora me acolhe com um outro foco, outras prioridades e muito para aprender.  

Uma semana já deu para perceber que o desafio é novo, diferente, megalómano, exige coisas de mim que eu não estou (ainda) totalmente preparada para dar. Trabalho de equipa, gestão de pessoas, uma visão menos egoísta do alcançar de resultados. Quem me conhece percebe o porquê de isto ser um enorme desafio. Não gosto de ser dependente dos outros, nem de ser responsável pelos erros dos outros, nem consigo encarar as conquistas dos outros como minhas porque as minhas têm de ser em pleno minhas e só minhas. 


Dizem-me para ter calma, para não querer tudo de uma vez, ao final do dia sinto que fui rude de mais, bruta de mais, que só abro a boca para criticar. Saí da minha zona de conforto e sinto à flor da pele tudo aquilo que isso acarreta. Sair da zona de conforto é difícil... Mas foi para isto que trabalhei e já precisava de um desafio assim, de algo em que fosse possível falhar, e aprender mais e mais a cada dia que passa. De algo que me lembrasse que não sou perfeita, nem imbatível, nem todo um rol de coisas que aprendi a ser noutra posição. 

Achava que ia ser mais fácil quando subisse. Não é. A responsabilidade é maior e o peso às costas também. Quem acha que é um sonho e que é fácil deve estar a fazer alguma coisa de errado! Ou serei eu? Não sei... Não saber também é bom. Para variar ;)


No meio disto tudo lembro-me daquele primeiro dia e de como achava que me estava a correr muito mal e que não teria estofo para aquilo. Lembro-me da confusão dos modelos e de como era estranho abordar  um cliente, das contas que eu fazia para adivinhar que tamanho de calças dar à pessoa que tinha à minha frente. Lembro-me de todas as confusões, de todas as falhas, de todos os erros e percebo tudo o que aprendi.

Estou feliz. Se nasci para isto ou não, não sei. Não vou mentir. Mas tenho que dar um momento a mim própria para saborear o tamanho da minha conquista e tudo o que dei de mim para a alcançar. 

Aquilo que o futuro me reserva só o tempo dirá. Mas consegui c*ralho. E um dia é sobre isso que eu vou falar aos meus filhos. Eles vão olhar para mim com uma cara muito estranha quando lhes disser que fui a melhor em todos os KPI'S mesmo estando de férias, que saí a verde 10 meses seguidos, e ganhei uma final do BWINGAME mas vão perceber pela emoção nas minhas palavras que a vida é isto. É amar e dar tudo e sobreviver para contar a história até ao fim, só com coisas boas no coração. Mesmo que eu não tenha filhos, esse será sempre o meu legado, para todos aqueles que me quiserem ouvir.

Do what you love and you never have to work a day in your life. Trust me! It's true.


💙

Catarina "The monster" Vilas Boas


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