Das pessoas que não sabem estar sozinhas (e solteiras)

Estar sozinho não é, bem sei, da natureza humana, porque se assim fosse ficava cada um no seu cantinho, feliz da vida, e a continuação da espécie assentava em one night stands sem fim e vidas carnais sem qualquer noção de família. É natural as pessoas não quererem estar sozinhas. Não  é propriamente o meu caso, mas eu sou anti-natura. Eu compreendo. Mas de não querer estar sozinho a não saber estar sozinho vai uma grande diferença.

Porque estar ou não sozinho não depende nunca somente de nós, para não estarmos sozinhos precisamos de outra pessoas, e já se sabe que as pessoas são um bicho volátil e esquisito em quem nunca se pode plenamente confiar. Então eu não gosto de estar sozinha, tudo bem, estou com alguém. E corre tudo muito bem às mil maravilhas (ou muito mal, na pior das hipóteses) até que um dia essa pessoa decide que não quer mais fazer-me companhia. E depois? O que é que eu faço?

Eu faço muita coisa, porque eu sei estar sozinha. Mas quem não sabe vive, para além da rejeição, um temor avassalador de morrer só e na penumbra, uma necessidade ardente de calor humano, aceitação, alento. Quem não sabe estar sozinho não compreende que todas essas coisas podem vir de nós próprios. Nós somos a nossa própria companhia, nós somos a pessoas mais interessante no mundo que podemos conhecer e com quem podemos conversar. Eu apaixono-me mais um bocadinho por mim todos os dias. Mas eu sou uma gaja de narcisismo perverso, não sou propriamente exemplo para ninguém...

E se às vezes precisarmos de alguém, porque precisamos sempre, temos os amigos, aqueles que tínhamos antes de tudo e preservamos mesmo quando tínhamos alguém. Quem não os preserva, que sa foda, cada um se deita na cama que fez.


Catarina Vilas Boas


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