Conhecem o Addicted?

É um programa documentário do Discovery que passa na TLC e segue as pessoas que lutam com os mais diversos vícios: desde heroína, metanfetaminas e vodka a cenas estúpidas tipo velocidade na estrada e dormir, toda uma panóplia que me faz ver a vida e a selecção natural com outros olhos.
Se fizessem um Addicted em Portugal de certeza que ia seguir um tolinho das raspadinhas.

Um tolinho das raspadinhas é uma pessoa que consegue gastar 30 a 40€ apenas em raspadinhas e passa o serão a raspá-las e a trocá-las por mais raspadinhas, na esperança de ter algum lucro. Que acaba por nunca ter, porque faz isso todos os dias e, quando ganha €100, já f*deu 1000€.

A papelaria do pingo-doce aqui da terra é a sala de chuto preferida da zona. Aquela casa deve fazer dinheiro como merda a vender papelinhos que nem dão para pôr debaixo da perna manca de uma mesa. Tanto que até colocaram um balcãozinho estrategicamente junto às raspadinhas para que todo e qualquer tolinho possa raspar ali, imediatamente ao ato de compra, sem preocupações, as resmas que acabou de adquirir.

E atenção, eu quando digo resmas não estou a exagerar. No outro dia estava lá na fila e começo a ouvir um “zc zc zc zc zc zc”, eram os tolinhos no tal balcão a raspar. Mas a raspar como se não houvesse amanhã!! Eles davam-lhe ali ao kick de uma maneira que se fossem limpar mato com aquela pujança de certeza que conseguiam criar uma empresa de sucesso, digna de patrocínio do Shark Tank. O balcão, que era branco, cheio de partículas cinzentas raspadas e eles, com cara de desgostosos, a separarem as raspadinhas que tinham dado alguma coisa das que não tinham nada. Depois lá se puseram na fila, atrás de mim, para trocar aquele “dinheiro” por mais raspadinhas. O maior prémio que aqueles três podiam receber era um semelhante banano no meio das trombas que nunca mais compravam uma raspadinha na vida.

Neste momento, os Jogos Santa Casa disponibilizam 34 tipos de raspadinhas diferentes. Ora digam-me lá se a Santa Casa não é misericordiosa? Sempre a pensar nos pobres portugueses.

E agora vocês perguntam: Mas, Catarina, o que é que tu estavas a fazer na papelaria?

Não, não estava a comprar mortalhas, nem tabaco, nem uma mochila da Kitty ou a Vogue Paris. Estava a comprar uma raspadinha para a minha mãe. #deusmajude


Catarina Vilas Boas 


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