No supermercado

Estava eu a salivar em frente às prateleiras dos chocolates, já a pensar no cheat day, quando uma senhora me pergunta onde está o chocolate negro. Eu, que nestas coisas das guloseimas sou fera, lá lhe indiquei o que ela pretendia. Mostrei-lhe todos, desde o mais caro ao mais barato, que custava 59 cêntimos. "Dantes era 49", diz-me ela. Eu, que de preços nada sei, respondi-lhe que "Pois, se calhar aumentou" e ela agradeceu a minha ajuda. Ainda ficou a olhar para o chocolate... mas acabou por se ir embora sem ele. 59 cêntimos, pensei eu, se custasse 49, muito provavelmente, ela tê-lo-ia comprado. E são estas coisas que me matam por dentro e me corroem a alma. Falta-me consciência social! Esqueço-me que um chocolate é um luxo e levo a vida na abençoada ignorância que me deixa pagar €1.50 por um que é premium e tem avelãs inteiras. 

Há poucas coisas que me tiram a gula. A afronta desta realidade ingrata que me rodeia é uma delas.


Catarina Vilas Boas


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