3 tipos de relacionamento

Quando me relaciono com uma pessoa eu não lhe vejo o estrato bancário, a cor da pele, a sexualidade, o grau de escolaridade, o último nome, os amigos, as amigas, o que fez de mal nesta vida ou que fez de bem. O meu bom ou mau relacionamento com alguém depende única e exclusivamente do que essa pessoa me faz a mim. Se me faz bem, eu sou a melhor amiga que pode ter. Sou. Sou leal, verdadeira, estou lá para tudo, sempre, seja qual for o nível de relacionamento que tenha com a pessoa, conheça-a há 10 minutos ou há 10 anos, eu não falho. Mas se alguém me faz mal, eu sou a maior cabra à face da terra. 

Eu sou o tipo de pessoa que paga tudo na mesma moeda. Guardo rancores como quem guarda ouro e vou levá-los a todos comigo para a cova. Quando eu não gosto de alguém é para a vida. Esse alguém terá em mim fogo que queima e corrói cada vez que se atravessar no meu campo visual. Eu consigo odiar com todas as partículas que fazem de mim um ser vivo. Não perdoo. Não esqueço. Espeto a faca no peito e aproveito cada oportunidade que tiver para a cravar mais fundo, nem que seja só um milímetro. E quando só restar o cabo, eu vou rodar aquela lâmina com prazer doentio.

Mas pior do que o meu ódio é a minha indiferença. Porque há gente que não me fez bem e, apesar de ter tentado, não me fez mal. Sim, há gente que nem sequer sabe ser filha da puta. E anda aí pela vida, sem ter bem a certeza se o lixo que lhe corre na alma está a poluir o mundo que a rodeia. O pior que se pode fazer a essas pessoas é ignorá-las, mostrar-lhes que foram tão banais e insignificantes na sua passagem pela nossa vida que não despertam qualquer tipo de sentimento (a não ser um bocado de pena e nojo). Não são nada a não ser poeira que às vezes ressurge e que eu sacudo.


Catarina Vilas Boas




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