Confuso?

Não admiro nas pessoas o facto de serem diferentes. Porque ser diferente é um dom, é dado, não exige trabalho além-fronteiras. O que eu admiro nas pessoas é a capacidade de serem diferentes. E a capacidade de ser diferente é muito diferente de o ser. Qualquer um tem a segurança para ser diferente entre quatro paredes, no círculo de amigos, nas redes sociais sob a protecção de um monitor. Mas nem todos possuem a ausência de medo que é necessária para o ser cá fora, no mundo. Na sociedade padronizada que oprime, a abarrotar de seres abomináveis, olhares afiados, esgares e comentários mordazes, muitas vezes sussurrados na penumbra da clandestinidade. Ter a capacidade de ser diferente é ser impermeável a tudo isso e permanecer firme na sua genuinidade. Ser-lhe fiel. 

Não é fácil. Mas é possível. E vale a pena. Só pelo gozo de ser para sempre, no imaginário daqueles que observam escandalizados, aquela peça que não encaixa, por mais voltas que se lhe dê, no puzzle preestabelecido das convenções da vida.

Porque pode ser-se diferente sem ter a capacidade de o ser. E quando é assim, é-se infeliz. 


Catarina Vilas Boas



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